O Instituto Últimos Refúgios lança neste mês de março o documentário “Águas do Itapemirim”. A sessão de estreia será no dia 15, às 8h30, no Cinemark Shopping Vitória, e outras exibições estão marcadas para os dias 19, no Cine Metrópolis, e 22, na Reserva Águia Branca, em Vargem Alta. Dirigida por Klaus’Berg, a produção aborda a importância da existência das bacias hidrográficas do Espírito Santo, em especial a do Rio Itapemirim, na Região Sul. O trailer já está disponível no Youtube @ultimosrefugios.
Ao longo de 90 minutos, o documentário apresenta uma linguagem sensível, imagens impressionantes do curso de água, da biodiversidade da região e entrevistas com pescadores, descendentes de quilombolas, professores do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) – campus Alegre e ativistas da bacia hídrica. O longa-metragem também relembra uma expedição científica realizada pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) em 2004 e fatos históricos documentados no diário de João do Monte da Fonseca, alferes português que colonizou o espaço no século XIX.
Segundo Raphael Gaspar, roteirista da obra audiovisual e diretor de Projetos do Instituto Últimos Refúgios, “Águas do Itapemirim” surge para resgatar a essência desse rio, “que já foi esperança para os navegantes, redes cheias para os pescadores e refresco em dias de intenso calor”, como disse a professora Sheilla Lobato em uma das entrevistas do documentário. “Revisitamos diversos locais onde a expedição realizada há mais de 20 anos passou e percebemos como as águas são cristalinas em uma das nascentes do Rio Itapemirim, na região do Caparaó, e turvas e pesadas quando chegam em Marataízes. Queremos mostrar para a sociedade a situação atual dessa bacia hidrográfica que é tão importante para o desenvolvimento sustentável da região sul do Estado”, explica.
O filme também aborda os desafios ambientais, culturais e socioeconômicos enfrentados ao longo dos anos, como a crise hídrica em 2015, as enchentes em Cachoeiro de Itapemirim, em 2020, e em Mimoso do Sul em 2024, além de histórias das comunidades de pescadores e quilombolas. De acordo com Leonardo Merçon, diretor de Fotografia e fundador do Instituto Últimos Refúgios, a narrativa foi construída a partir dos depoimentos captados. “As entrevistas pautaram os assuntos que resolvemos abordar. As pessoas com quem conversamos falaram sobre a beleza do rio, mas também de dramas sociais, lutas travadas para protegê-lo e momentos ruins que presenciaram. Buscamos transmitir toda essa mensagem de forma artística. É a nossa forma de dar voz ao rio e à natureza”, defende Leonardo.
Klaus’Berg, corroteirista e diretor da produção, já soma mais de 20 anos de carreira no audiovisual, mas conta que se emocionou ao dirigir o “Águas do Itapemirim”. Isso porque o rio fez parte de sua adolescência na cidade de Alegre, ou melhor, “do Alegre”, como ele e seus conterrâneos gostam de falar. “A gravação do documentário foi muito importante para mim porque consegui rever a região onde cresci e conversar com alguns moradores. Eu, inclusive, já conhecia alguns dos personagens entrevistados. O Rio Itapemirim fez parte da minha história. Morávamos longe da praia, então o rio era a nossa atração. Era onde tomávamos banho e nadávamos. Mas o que vi foram bancadas de areia e as marcas do que vivi no passado. A situação atual mostra as modificações sofridas graças ao crescimento das cidades e à má conservação dos recursos hídricos. É um convite a refletir sobre a conservação ambiental”, conta Klaus.
O documentário “Águas do Itapemirim” é uma realização do Instituto Últimos Refúgios em parceria com a Secretaria de Estado da Cultura e do Governo do Estado do Espírito Santo. Foi produzido com recursos da Lei de Incentivo à Cultura Capixaba, patrocínio do Grupo Águia Branca e apoio da Reserva Ambiental Águia Branca, do Instituto Estadual do Meio Ambiente (Iema) e do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes).
O Instituto Últimos Refúgios é uma Organização da Sociedade Civil (OSC) que atua na área ambiental e cultural relacionada à conservação de espécies e ambientes principalmente no Espírito Santo e trabalha com a educação ambiental para equilibrar a relação entre as pessoas e a natureza.
Direção: Klaus’Berg Roteiro: Klaus’Berg e Raphael Gaspar Tebaldi Fotografia: Leonardo Merçon Cinegrafia: Felipe Facini Produção: Raphael Gaspar Tebaldi Produção Executiva: Daniela Gerhard Batista, Iasmin Macedo Gois, Leonardo Merçon e Raphael Gaspar Tebaldi Direção de Produção: Eddy Aragão Montagem: Felipe Facini e Klaus’Berg Animação: Mei Ameixa e Raquel de La Rocha Som Direto: Fernando Paschoal e Gisele Bernardes Trilha Sonora Original: Arthur Navarro