Durante a semana do oitavário da tradicional Festa da Penha — uma das maiores manifestações religiosas do Brasil — a devoção à Virgem Maria se intensifica em diversas comunidades do estado. No sul capixaba, essa devoção ganha destaque especial em Alegre, onde está localizada a Paróquia Nossa Senhora da Penha, considerada a maior paróquia dedicada à padroeira na região. A história da cidade e da comunidade católica caminham lado a lado, revelando como a fé ajudou a moldar a identidade local ao longo de mais de um século e meio.
Fé presente desde os primeiros moradores
Os primeiros registros de ocupação da região de Alegre remontam por volta de 1820, quando João Teixeira da Conceição chegou ao local acompanhado de uma expedição proveniente de Minas Gerais. Os colonizadores trouxeram consigo tradições culturais e religiosas que rapidamente se tornaram parte da vida da nova comunidade.
Apesar disso, o período anterior à metade do século XIX permanece pouco documentado, sendo conhecido principalmente por meio de relatos históricos e lendas transmitidas entre os primeiros habitantes. A presença da Igreja começa a se consolidar em 1850, com a chegada do primeiro sacerdote que prestou assistência religiosa regular à região, o padre Francisco Alves de Carvalho, natural de Portugal.
Da freguesia ao município
Com o crescimento da população, a comunidade passou a se organizar oficialmente. Em 23 de julho de 1858 foi criada a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Alegre, por meio da Lei nº 22. Pouco mais de uma década depois, em 4 de novembro de 1869, a freguesia passou a se chamar Freguesia de Nossa Senhora da Penha do Alegre, reforçando a devoção mariana que já era forte entre os moradores.
A confirmação eclesial ocorreu em 11 de novembro do mesmo ano, consolidando oficialmente a Paróquia Nossa Senhora da Penha. Naquele período, o Espírito Santo ainda estava vinculado ao Bispado do Rio de Janeiro. Posteriormente, passou ao Bispado de Niterói e, em 1895, foi criado o Bispado do Espírito Santo, com sede em Vitória. Décadas mais tarde, em 1958, surgiria a Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, à qual a paróquia de Alegre passou a pertencer.
Enquanto a organização religiosa se fortalecia, a comunidade também avançava administrativamente. O município de Alegre foi criado em 3 de abril de 1884, pela Lei nº 18. Em 11 de novembro de 1890, o território foi desmembrado de Cachoeiro de Itapemirim e elevado à categoria de vila. A instalação oficial ocorreu em 6 de janeiro de 1891, e em 22 de dezembro de 1919 Alegre recebeu o título de cidade.
A igreja que acompanha a história da cidade
A história da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Penha acompanha o próprio crescimento do município. A primeira Capela-Mor foi construída em 1851 pelos moradores, utilizando barro e madeira, sendo concluída no ano seguinte. As terras do patrimônio do município ficaram sob responsabilidade da Igreja, dedicadas à padroeira.
Em 1868 começaram os reparos na capela e a construção do corpo da igreja matriz. Ao longo do tempo, o templo passou por diversas ampliações, principalmente nos anos de 1914, 1916 e entre 1963 e 1968. O resultado é uma construção com traços do estilo barroco-gótico, que chama atenção pelos vitrais representando a vida de Cristo e pelas pinturas sacras do artista indiano Diwali.
Entre os elementos mais simbólicos da igreja estão os três sinos inaugurados em 1939. Cada um recebeu o nome de uma virtude teologal — Fé, Esperança e Caridade — reforçando a espiritualidade que acompanha a história da comunidade.
Líderes que marcaram gerações
Diversos sacerdotes passaram pela paróquia ao longo de sua história. Entre os primeiros registros está o de Frei Bento de Gênova, que atuou na região por volta de 1860 e, segundo registros históricos, teria celebrado a primeira missa na então povoação de Alegre.
Entre as lideranças mais marcantes destaca-se o Monsenhor João Batista Pavesi. Ele assumiu a paróquia em 1937 e se tornou uma figura central na vida religiosa e social da cidade. Durante seu longo ministério, incentivou a criação de associações religiosas e sociais, além de iniciativas educacionais importantes para a comunidade.
Em 1953, com o apoio dos fiéis, Pavesi deu início à reconstrução completa da igreja matriz. A obra foi concluída em 1969, quando o templo foi inaugurado na forma atual. O sacerdote permaneceu à frente da comunidade até seu falecimento, em 1994, deixando um legado profundo na história da cidade.
Outro nome importante foi o Monsenhor José Bellotti, que iniciou seu trabalho pastoral na paróquia em 1956 e permaneceu por décadas contribuindo com a evangelização da comunidade.
Uma paróquia que ultrapassa a sede urbana
Hoje, a Paróquia Nossa Senhora da Penha reúne uma ampla rede de comunidades espalhadas pelo município. Na sede urbana fazem parte as comunidades Santa Teresinha (Vila do Sul), São Sebastião (Popular), São Vicente de Paulo (Vila do Sul), Divino Espírito Santo (Vila Alta), Nossa Senhora das Graças (Guararema), Nossa Senhora da Conceição (Alto Universitário), Santa Clara de Assis (Comunidade Universitária), Nossa Senhora Aparecida (Clério Moulin), Santa Luzia (Charqueada) e Santa Dulce dos Pobres (Boa Fé). Além dessas, a paróquia também conta com mais 28 comunidades rurais, que integram a ação pastoral e a vida evangelizadora da igreja no interior do município.
Na igreja também aconteceram importantes momentos religiosos, incluindo ordenações diaconais e sacerdotais realizadas e celebrações que marcaram a história da comunidade.
Fé que permanece viva
Atualmente, a paróquia segue sua missão evangelizadora sob a condução de novos sacerdotes. Após o trabalho pastoral do padre Genésio Enildo de Souza, que foi pároco entre 2014 e 2021, a comunidade continua sua caminhada. Em 25 de agosto de 2024, o padre Carlos Henrique Dias assumiu oficialmente como pároco da Paróquia Nossa Senhora da Penha de Alegre.
Mais do que um patrimônio religioso, a paróquia representa um marco histórico e cultural para o município. Na semana do oitavário da Festa da Penha, quando milhares de fiéis celebram a padroeira do Espírito Santo, a história de Alegre relembra que a fé continua sendo um dos pilares que sustentam a identidade de seu povo.

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