A política é a luta pelo poder. O direito divino justificou e legitimou as monarquias absolutistas até que as ideias da razão e o iluminismo promovessem uma verdadeira refundação da política no século XVII. A disputa pelo poder do estado- a forma mais concentrada de poder- seguiu alternando e combinando movimentos populares e lutas violentas, golpes e revoluções, muitas formas de totalitarismo e de busca de apoio e participação popular.
Tendo a república e a democracia liberal como faróis, Max Weber definiu o conceito de política por vocação como sendo lutar pelo poder movido apenas pela ambição de usar o poder conquistado para promover transformações socioeconômicas e institucionais visando o bem comum.
As eleições gerais no Brasil em 2026 vão redefinir o poder em nível nacional e nos estados. Todos os pré candidatos querem encarnar o bem comum e o interesse maior do país, ganhar corações e mentes para chegar ao poder ou lá permanecer. Campanha eleitoral é isso!
Alberto Carlos de Almeida, cientista politico e escritor carioca que atua em São Paulo, costuma analisar as eleições como sendo um embate entre os desejos de mudança e de continuidade. Governos com alta aprovação tendem a vencer, principalmente se o incumbente for candidato e governantes mal avaliados tendem a perder.
Apesar do sucesso na complexa transição para a democracia depois da vitória de Tancredo Neves nas eleições indiretas e seu inesperado falecimento, o governo José Sarney chegou às eleições de 1989 muito mal avaliado, principalmente em função da hiperinflação e do fracasso dos planos de estabilização tentados em seu período. Os quatro candidatos mais bem colocados: Collor, Lula, Brizola e Covas apresentavam visão critica e propostas de mudança. A vitória de Collor no segundo turno consagrou a alternativa de mudança percebida no processo eleitoral como sendo a mais contundente.
Com a emergência da polarização Lula versus Bolsonaro depois de 2018, combinada com o poder das emendas parlamentares e o financiamento estatal dos partidos políticos, a análise tornou-se mais complexa. O PT e o PL formam projetos claros e bem definidos na disputa e buscam construir palanques estaduais que ancorem as candidaturas de Lula e Flavio Bolsonaro.
A verticalização acontecerá de forma imperfeita e incompleta. No Rio de Janeiro Eduardo Paes do PSD é aliado de Lula, mas foi buscar uma vice do MDB bolsonarista para enfrentar o candidato do governo Claudio Castro do PL. Os ministros do PSD, PP e MDB seguem em seus cargos no governo Lula. Renan Filho (MDB), ministro dos Transportes, propagandeia obras federais em Santa Catarina fustigando o governador Jorginho do PL, candidato a reeleição, num alinhamento total com Lula.
A maioria dos analistas considera muito estreito o espaço para uma outra candidatura de oposição além de Flávio, mas todos torcem para que ela apareça. O principal líder a influenciar neste processo é Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que reúne três governadores pré candidatos a presidente.
O governo Lula atua para atrair o MDB oferecendo a vice presidência e dividindo palanques estaduais. Os palanques em São Paulo e em Minas Gerais são desafios para a oposição que governa ambos e para o PT que precisa de projetos estaduais capazes de atrair setores do centro.
O carnaval capixaba mexeu com o tabuleiro eleitoral no estado mais do que a escola de samba de Niterói, que exaltou Lula e acabou rebaixada. A aproximação de Arnaldinho com Pasolini, aparecendo juntos no Sambão do Povo, as visitas ao interior com Evair de Melo, PP, prenunciam a possibilidade de formação de uma frente política reunindo PSDB, Republicanos, Federação Progressista, PSD e Novo.
Se este movimento se consolidar, o projeto do governo estadual PSB-MDB-Podemos perde força embora ainda lidere contando com a alta aprovação do governador Casagrande. A preço de hoje teríamos quatro projetos majoritários em construção: PT-PV-PC do B – PSOL com Helder Salomão e Cantarato; PSB-MDB-Podemos com Ricardo Ferraço e Renato Casagrande; PSDB-Republicanos-PSD-Novo com Arnaldinho e Pasolini e PL com Magno Malta e Maguinha.
A posição da Federação Progressista segue sendo disputada pelo governo e pela frente dos prefeitos. Evair sinaliza afinidade e entusiasmo com a aliança Arnaldinho-Pasolini, mas Marcelo Santos e Da Vitória ainda não se definiram mantendo ainda a expectativa de que possam estar na aliança palaciana. Luiz Paulo segue pré candidato ao senado pelo PSDB participando da movimentação politica do prefeito de Vila Velha e da construção de alianças.
A atração de nomes para as chapas proporcionais ocupa a atenção principal das lideranças partidárias. A janela para a mudança de partido que se abre no próximo dia 4 de março vai registrar mudanças importantes mas a data decisiva do calendário é 4 de abril.
Para confirmar sua candidatura ao Senado, o governador Casagrande deverá renunciar e Ricardo Ferraço deverá assumir o governo do estado; Arnaldinho e Pasolini também terão que renunciar aos cargos de prefeito; o limite para filiação partidária também se encerra e assim as alianças e projetos eleitorais, chapas majoritárias e proporcionais ganharão forma quase definitivas. Depois são as convenções partidárias em julho e o registro no TRE em agosto.
Em 4 de outubro os eleitores farão suas escolhas dentro deste cardápio que hoje ainda não está pronto. É o poder que está em jogo!












