Por Guilherme Nascimento — Casa Roxa Cultural
Tradicionalmente, ao final de cada ano, a Casa Roxa Cultural, organização de base comunitária sediada em Marataízes, no litoral sul do Espírito Santo, realiza seu recesso criativo. É um período em que a instituição se afasta das atividades públicas para imergir em vivências, territórios e encontros com pessoas e comunidades, alimentando a temporada de criação que se estende até fevereiro.
Em 2025, o destino escolhido para esse recesso foi o Nordeste brasileiro. A decisão reúne motivos históricos, culturais e políticos: a presença dos povos indígenas originários, especialmente o povo Pataxó no extremo sul da Bahia; o fato de Porto Seguro marcar, na narrativa oficial, o início do processo de colonização do Brasil; e a força simbólica de Salvador, primeira capital do país. Para a Casa Roxa, trata-se de um território diverso, plural, profundamente humanizado e democrático, onde cultura popular, memória e resistência seguem vivas e inspiradoras.

A travessia começou na noite de Natal, dia 25 de dezembro, quando a equipe saiu de Marataízes por volta das 23h30 rumo à Bahia. Após mais de 13 horas de estrada, a primeira parada foi em Caraíva, distrito de Porto Seguro. O grupo foi recepcionado na Pousada Vila Ohana Beira Mar, sob os cuidados da anfitriã Jaqueline, em um espaço à beira-mar que se tornou o ponto de partida dessa imersão cultural.
Logo no primeiro dia, a principal atividade foi circular pela vila e visitar empreendimentos da própria comunidade — restaurantes, barbearias e mercearias — para compreender, na prática, as dinâmicas do turismo de base comunitária, eixo de estudo recente da Casa Roxa, aprofundado após a imersão multicultural realizada na Amazônia. O objetivo é observar como o turismo pode fortalecer economias locais, preservar identidades e gerar desenvolvimento a partir das próprias comunidades.
Em Caraíva, a experiência revela um ritmo próprio. Dentro da vila não entram carros nem motos; o deslocamento acontece a pé, em bugres ou charretes. A energia elétrica chegou de forma estruturada apenas em 2007, o que ajuda a explicar a atmosfera singular do lugar, onde parece que o tempo corre mais devagar. É também onde o rio encontra o mar, criando uma paisagem simbólica e potente. No centrinho histórico, a Igreja de São Sebastião se destaca como referência e coração da vila, em meio às ruas de areia e à vida comunitária que pulsa ao redor. As praias de águas mornas e transparentes completam o cenário paradisíaco que atrai visitantes de todo o país.
A imersão cultural em Caraíva inclui ainda o encontro com o forró, gênero musical que embala as noites da vila e expressa com força a identidade nordestina. Vivenciar o forró faz parte do recesso criativo como forma de escuta das expressões populares e de aproximação com a cultura viva do território.
Ainda no primeiro dia, ocorreu um encontro que simboliza o espírito do recesso: o fundador e gestor da Casa Roxa, Guilherme Nascimento, esteve com o ator Bruno Gagliasso, a apresentadora Giovanna Ewbank e sua família, que também estavam em Caraíva. Na ocasião, Guilherme apresentou a trajetória e os propósitos da Casa Roxa, em um diálogo que exemplifica o intercâmbio cultural que o recesso busca promover. Para a instituição, esses encontros reforçam a importância de circular ideias, conectar pessoas e ampliar redes a partir da experiência vivida nos territórios.
Após Caraíva, o roteiro do recesso segue para Arraial d’Ajuda, onde a equipe ficará hospedada em uma acomodação oferecida por Javier, com acolhimento e representação da anfitriã Angela, fortalecendo essa rede de parcerias construídas de forma afetiva e casual ao longo do caminho.
Na sequência, a Casa Roxa passa por Porto Seguro e Trancoso, territórios diretamente ligados às origens históricas do Brasil e à presença viva do povo Pataxó, reafirmando o sentido político e simbólico dessa travessia. Em Porto Seguro, a equipe será acolhida em uma casa de hóspedes oferecida por Emma, ampliando o circuito de anfitriões que se tornam parte dessa experiência de imersão.
O percurso se encerra em Salvador, onde o grupo ficará em um apartamento oferecido por Humberto e Ana, com vista para o mar. Primeira capital do Brasil, Salvador representa a força da cultura afro-brasileira, da religiosidade, da arte e da resistência negra que moldam profundamente a identidade cultural do país e dialogam com os valores defendidos pela Casa Roxa.
Ao escolher o Nordeste para o recesso criativo de 2025, a Casa Roxa reafirma sua metodologia baseada na escuta dos territórios e na vivência como fonte de criação. A imersão não é apenas deslocamento geográfico, mas um movimento estratégico de pesquisa sensível que prepara a instituição para a nova temporada de criação.
Segundo a Casa Roxa, a experiência já aponta para um ciclo altamente inspirado e fértil. Muitas novidades devem ser anunciadas nos próximos meses, resultado direto dessa travessia. O recesso criativo, mais uma vez, cumpre seu papel: transformar viagem em repertório, encontro em ideia e território em criação.




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