por Wanderley Moraes
Há pouco tempo estava conversando com uma futura professora de história sobre os nossos “heróis esquecidos”. Em tempos onde capas e colãs multicoloridos povoam as telas e alimentam o imaginário popular, a verdadeira grandeza humana acaba relegada aos bastidores.
Mas a nossa história não foi construída apenas por líderes famosos, reis ou princesas, mas por gente simples, de mãos calejadas e coragem (quase) anônima como Maria Quitéria, a primeira militar brasileira que se vestiu de homem para lutar na guerra Independência do Brasil, morrendo no anonimato e enterrada em uma cova rasa, como indigente. Ou Francisco José do Nascimento, o dragão do mar, um jangadeiro cearense que se tornou símbolo da luta abolicionista ao liderar uma greve para impedir que escravizados fossem transportados do Ceará para outros estados, esse seu ato contribuiu para o fortalecimento do movimento abolicionista no país.
Mas esses heróis não estão apenas no passado, o que se dizer de Heley de Abreu, professora mineira, que em 2017 sacrificou a própria vida para salvar seus alunos numa creche, tendo 90% do corpo queimado durante a luta que travou contra o incendiário até ficar inconsciente? E Patrícia Acioli? A juíza linha dura que combatia milícias e grupos de extermínio em São Gonçalo e Niterói e foi executada com 21 tiros quando chegava em casa.
Não é preciso ter superpoderes para fazer grandes coisas. Esses heróis não usam armaduras ou invocam raios dos céus, eles têm coragem. Coragem para enfrentar o medo, para dizer a verdade quando todos se calam, para permanecerem honestos num país onde a esperteza muitas vezes é aplaudida.
E é essa coragem que falta à política. Faltam líderes que enfrentem o sistema, que escolham a verdade ao invés da conveniência. Governantes que saibam que o cargo é serviço, não privilégio. O Brasil não precisa de salvadores — precisa de cidadãos dispostos a reerguer o que foi desgastado pela mentira, pelo descaso e pela corrupção.
Os verdadeiros heróis não são os que prometem mudar o mundo, mas os que começam mudando o que está ao seu redor. Eles não esperam o momento ideal, mas o criam com o pouco que têm e o muito que acreditam.
E talvez seja essa a lição que não devemos esquecer: grandes feitos não nascem do poder, mas da coragem. E coragem é o que ainda pode salvar este país. Porque o herói que o Brasil precisa não está nas telas — está no espelho.



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