“O que é, o que é?”.
Gonzaguinha brilhou nesse clássico da MPB quando canta:
“Sempre desejada
Por mais que esteja errada
Ninguém quer a morte
Só saúde e sorte
E a pergunta roda
E a cabeça agita
Eu fico com a pureza
Da resposta das crianças
É a vida, é bonita
E é bonita”
Lindo isso e bem mais profundo que a superficialidade do mundo moderno, onde a cultura de ajuntar varinhas frágeis para conseguir a força tem sido muito propagada.
Onde entra o conto que inspirou o filme nisso?
Tenho ultimamente escrito sobre a convivência com crianças e ao ligar esse comportamento ao personagem do filme, não posso deixar de comparar com a realidade, onde ouço e vejo diariamente discussões sobre o individualismo e isolamento, através do tempo de tela em celulares principalmente, que tem causado segundo especialistas, prejuízo de cognição e comportamentais em nossas crianças e agora também em adultos.
Não sou especialista ou psicólogo e inclusive posso ser incluído no grupo dos achismos, mas relato o que tenho observado, influenciado ou não pelas milhares de informações a que estamos submetidos diariamente nas redes.
O personagem de que trato hoje, nasceu com aparência de idoso, pois tinha uma síndrome que provocava a regressão em que ficava mais jovem a cada dia. Convive então com uma criança que com o decorrer do tempo passa a cuidar cada vez mais dele, em um processo natural de crescimento inverso ao do personagem.
Essa infantilização de adultos que tem se manifestado em contraponto com a adultização imposta às nossas crianças, mostra o caos do nosso cotidiano e tem gerado essa pandemia de crises de ansiedade e depressão no mundo moderno.
Volto então ao Gonzaguinha:
“E a vida
E a vida o que é?
Diga lá, meu irmão
Ela é a batida de um coração
Ela é uma doce ilusão, ê ô!”








