Ontem uma criança, a Emilly, estava com um filhote de passarinho nas mãos e me disse que achou ele caído na rua. Como sempre acontece, eles gostam de me deixar em situação difícil, então ela me perguntou se o bichinho era menina ou menino.
Pronto, pensei… expliquei então que em se tratando de pássaros ou aves só vamos saber disso quando estão maiores e que às vezes é a cor das penas ou o comportamento que indicam se é macho ou fêmea.
Ufa… me livrei de mais essa, pensei de novo. Que nada… Ela voltou e disse que o bicho estava com a perna machucada e por isso mancava e nem podia voar.
Stop… isso ficou me cutucando a tarde toda. Mas o que tem a ver a perna machucada com o voo do bicho, afinal pássaros voam com as asas e não com as pernas.
Voltei no tempo e lembrei de um livro que li na infância, no qual o personagem, um grego chamado Ícaro, que com a ajuda de seu pai, Ðédalo, resolveu voar. Para isso, colaram asas no corpo de Ícaro, que subiu a uma montanha, pegou uma carreira para o abismo e voou.
Mas, como todo humano que se preza, Ícaro não se contentou e resolveu voar bem alto, até o Sol. Os deuses gregos então, enciumados com tamanha pretensão, derreteram com o calor do sol a cera que colava as penas no seu corpo, e ele estabacou lá de cima caindo no Mar Egeu, onde morreu.
Voltei ao meu mundo e fiquei imaginando o quanto a Emilly ainda vai precisar andar com as próprias pernas antes de alçar voo próprio. Torço para que a cera desses tempos modernos não se derreta, e ela alce os voos mais altos possíveis.
Mas uma dúvida….., afinal, uma perna machucada impede de voar?








