A infância sempre foi um playground de emoções, mitos, aprendizados, e muitos sentimentos controversos para o bem ou para o mal, dependendo do mando de campo desses sentimentos. Talvez por isso as comunidades pobres antigas tinham mitos e figuras que metiam o louco na criançada e, pasmem, até alguns adultos. Talvez isso explique a quantidade de demônios em nossa cultura religiosa.
O bicho-papão, o “véio” do saco, o lobo mau, o chupa-cabra, o bacurau e outros, sempre habitaram o universo do consciente das nossas crianças, mas nada que as impedisse de, passado esse período, voltar ao mundo real, que na rotina corrida de estudos, trabalho e outras preocupações criavam um limbo onde essas figuras da infância eram jogadas e quase esquecidas.
Mas esse tempo antigo parece sepultado pela modernidade ou pela tecnologia. Hoje, principalmente aqueles personagens, foram substituídos por monstros bem mais reais.
Ano passado, algum monstro lá no Oriente Médio desencadeou um desfile horrendo de monstruosidades, que fizeram os monstros de nossa infância parecerem anjinhos de procissão. Primeiro, um grupo terrorista dizimou centenas de jovens em um festival. Foi o sinal para que outros monstros se sentissem no direito de exibir todo um repertório de monstruosidades, culminando em ataques a hospitais, igrejas e também às residências dos “trouxas”, que é uma definição para os leigos ou civis dos livros do Harry Potter, onde aparecem também alguns monstrinhos.
Agora em fevereiro a coisa piorou, pois um monstrengo do hemisfério norte, de aparência dantesca, resolveu se juntar a um outro, que parece carregar consigo os traumas de uma infância de triste lembrança na Segunda Guerra e tocar o terror no mundo todo.
Primeiro nas crianças, explodindo uma escola de meninas; depois, nos adultos das bolsas de valores e nos colegas da sua confraria de monstros, que tem uma sigla famosa no velho continente; por fim, nos seus próprios conterrâneos, que já não suportam um tal de monstro da inflação global, ainda mais por ver o tal monstrengo nas redes sociais e na TV mentindo mais que o Pinóquio e se gabando de suas maldades, com um ego maior que o topete laranja que cultiva.
O pior disso tudo é que desse tipo de monstros temos mais alguns pelo mundo, cujo superpoder está na maldade natural e em um botão vermelho que, ao ser acionado, poderá varrer a vida desse planetinha antes tão simpático chamado Terra.
Será que é por isso que mandaram uma nova missão tripulada ao redor da lua? Que Ártemis, figura mitológica que empresta o nome à missão, exímia caçadora de monstros, nos proteja dessas nossas figurinhas de um álbum de terror.









