Domingo passado celebramos o domingo de ramos em minha igreja. Como sempre, fui à pracinha recolher umas folhas do coqueirinho para o padre benzer. Lembrei então de meus pais, pois sempre participavam com muita fé da procissão que lembra a entrada de um rei humilde em Jerusalém.
Minha mãe guardava os ramos e desde nossa infância, e toda vez que o tempo virava para temporais, ela pegava os raminhos já ressequidos, queimava e fazia uma oração para Santa Bárbara e então nosso medo sumia. Não falhava nunca, pois logo o vento e os trovões diminuíam até voltar a calmaria.
Não guardei os hábitos dela, mas adquiri alguns mais modernos e mais esquisitos, tipo não assistir jogo do Vasco, não deixar sandálias viradas, não comer peixe com macarrão e outros. Descobri na segunda-feira que existem manias piores que as minhas, pois fui fazer almoço e tomei um baita susto. Na hora de encher o copo de arroz pra colocar na panela, tinha um troço escuro e duro no meio do arroz.
Fiz um sinal da cruz, lembrei de mamãe e de suas rezas e com medo enfiei a mão e saí com um celular do meio do arroz. Claro que tomei um susto, mas reconheci o objeto. Era o celular de minha esposa.
Caracas, será que ela é sonâmbula e eu não sabia, mesmo depois de 50 anos juntos, pensei. Pode ser que ela tenha vindo dormindo e guardado o celular ali. Ou seria magia?
Esperei até ela chegar da reunião de catequese e perguntei sobre o fato. Os técnicos de consertos de celulares vão me odiar, mas ela jurou que o celular estava no meio do arroz porque estava com defeito e que muitas pessoas faziam aquilo quando entrava água no aparelho.
Pronto. Ou vão todos os técnicos à falência se muitas pessoas se dispuserem a ler meus escritos ou entram em um acordo comigo para não publicar, portanto, se você estiver lendo o que escrevi, é porque não houve acordo.
Ah… antes que me esqueça, ela vai ter que comprar outro celular.











