por Basílio Machado
O município de Venda Nova do Imigrante chamou a atenção da comunidade científica e de ambientalistas do Espírito Santo e do país ao sediar na última semana o 1º Seminário de Conservação da Uruçu-Capixaba. O objetivo foi discutir os principais desafios e oportunidades para a conservação desta espécie de abelha endêmica nas montanhas capixabas, que está ameaçada de extinção. O evento aconteceu no Centro de Desenvolvimento Guaçu-Virá, na zona rural do município.

O seminário é uma das ações do Programa de Conservação Uruçu-Capixaba, uma iniciativa pioneira que pretende determinar genótipos prioritários e métodos de manejo para a multiplicação efetiva de colônias da uruçu-capixaba e sua posterior reintrodução na natureza, em árvores protegidas nos Parques Estaduais de Pedra Azul, Forno Grande e Reserva Ambiental Águia Branca.
De acordo com o coordenador do programa, professor Helder Canto Resende, da Universidade Federal de Viçosa (UFV), desde 2007 diversas ações têm sido realizadas em prol da conservação da melipona capixaba.
“Considero o momento atual como estratégico para unir forças e formar uma rede de colaboradores, unindo o poder público, instituições de pesquisa, unidades de conservação, centros de educação ambiental, escolas, meliponicultores e a comunidade, todos pela conservação dessa abelha, um patrimônio natural das montanhas capixabas” – disse o professor Helder.
O professore acrescentou que o grupo pretende elaborar o Plano de Ação Estadual para a Conservação da Uruçu-Capixaba, integrando ações com o Plano de Ação Nacional de Conservação dos Insetos Polinizadores. “Nesse Plano, vamos identificar as principais ações e traçar estratégias de conservação, designando articuladores e responsabilidades para o efetivo sucesso do programa de conservação da uruçu-capixaba”- completou Helder.
O seminário contou a participação de representantes de cinco secretarias municipais de meio ambiente da região das montanhas capixabas: Vargem Alta, Castelo, Alfredo Chaves, Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante.
Em extinção
Em maio de 2003, o Ministério do Meio Ambiente, através da Lista de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (Instrução Normativa nº 3, de 27 de maio de 2003) considerou a espécie de abelha uruçu-capixaba (também conhecida como uruçu-preta) como ameaçada de extinção. O desmatamento é citado por diversos autores como a principal fonte de ameaça para abelha em seu ambiente natural, uma vez que a espécie depende de árvores para a sua nidificação, especialmente árvores mais velhas com troncos adequados à instalação dos ninhos, além da redução nas fontes de alimento (pólen e néctar).
Espécie é sensível ao clima quente
A perda de habitat pela destruição da vegetação e a extensiva coleta do mel para consumo imediato – e também a criação para a produção artesanal – representam ainda um sério risco para a sobrevivência da espécie nativa da região. A Melipona capixaba não se mantém em altitudes mais baixas que 600 metros, especialmente em regiões com temperaturas mais quentes, mesmo quando manejadas de forma adequada.
Já foram realizadas tentativas fracassadas de manutenção de colônias nos municípios de Guarapari, Marataízes e Vitória, no litoral capixaba, e também em áreas mais quentes do município de Santa Teresa, na região central do Espírito Santo, demonstrando alta vulnerabilidade da espécie ao clima.
Com informações da PMVA



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