Na manhã desta sexta-feira (14), a Cúria Diocesana de Cachoeiro de Moçambique para o encontro de avaliação do intercâmbio realizado com o MEPES (Movimento de Educação Promocional do Espírito Santo).
A atividade marcou o encerramento da imersão que trouxe ao Brasil sete participantes das Escolas Família Agrícola (EFAs) de Moçambique, que desde 17 de outubro percorrem comunidades, instituições de ensino e experiências agrícolas capixabas, permanecendo até o dia 20 de novembro.
O diretor do NEPES (Núcleo de Educação e Promoção Social do MEPES), que acompanha o grupo, destacou a amplitude da experiência.
“Estamos vivendo um vasto programa de visitas e estágios nas escolas, nas famílias, nas comunidades, além de conhecer atividades agrícolas e não agrícolas, associações e cooperativas”, explicou.
Segundo ele, o programa inclui ainda períodos de formação em pedagogia da alternância no Centro de Formação do MEPES, em Piúma.
“É uma troca de experiências muito interessante. Brasil e Moçambique têm muitas coisas em comum, inclusive a língua, o que facilita nossa comunicação. Mesmo com realidades diferentes, buscamos fortalecer a educação do campo e o desenvolvimento comunitário lá em Moçambique”, disse.
O momento contou com a presença do bispo diocesano, Dom Luiz Fernando Lisboa, que dedicou quase vinte anos de sua missão àquele país africano. O reencontro com moçambicanos dentro da Diocese foi, para ele, motivo de emoção e alegria.
“Foi um momento muito rico para mim, um momento de recordar Moçambique. Eles disseram as experiências, o que mais impactou, o que estão levando de aproveitamento. Essa troca de culturas e conhecimentos é muito importante para os dois povos”, afirmou o bispo.
Entre os participantes estava o padre Carlos Serenéia, um dos professores moçambicanos, natural da província de Nampula, no norte de Moçambique, pertencente à Diocese de Nacala. Ele relatou que a estadia no Brasil tem sido de intensa aprendizagem e observação de práticas que podem ajudar a superar os desafios enfrentados pelas EFAs de seu país.
“Buscamos ter essa experiência na pedagogia da alternância, que é a prática das escolas de família, intercalar momentos na escola e na família. Isso é um tesouro para nós”, contou.
Padre Carlos explicou que a alternância, apesar de essencial ao modelo das EFAs, tem encontrado barreiras na realidade moçambicana.
“Já implementamos anos atrás, mas questões legislativas e as distâncias entre escola e família tornam difícil a prática. Mantemos os estudantes na escola para evitar situações negativas, como violência e fome em casa. Por isso viemos aqui: para aprender como podemos ultrapassar essas dificuldades”, explicou.
Ele detalhou também a estrutura atual das EFAs em Moçambique.
“Temos 18 escolas distribuídas pelo país. A primeira foi fundada em 2004. Há uma associação que monitora e acompanha nosso trabalho. Mas nos últimos anos a legislação exigiu que todas as escolas de família fossem elevadas ao ensino médio, com requisitos como trator e estufa. As que não conseguiram, fecharam ou viraram escolas de ensino geral. Com o ensino médio, a carga horária aumentou, e os alunos ficam internados quase todo o ano, sem poder ir às famílias. É o que temos vivido”.
O professor destacou ainda a alegria de reencontrar Dom Luiz Fernando Lisboa, figura bastante respeitada em Moçambique.
“Eu já o conhecia. Minha diocese é vizinha da diocese onde ele trabalhava. Quando eu estava no seminário, ele visitava os seminaristas e assim o conheci. Ele já conhecia nossa realidade, nossa paróquia. Hoje tivemos a oportunidade de apresentar nosso trabalho e partilhar sobre educação. Ele nos recebeu de braços abertos. Foi um momento muito especial”.
Durante toda a permanência, os visitantes participaram de atividades de formação, estágios em escolas do MEPES, visitas a propriedades agrícolas, cooperativas e comunidades rurais. Acompanhados pelo diretor do MEPES, viveram uma rotina intensa de aprendizagem prática e diálogo com estudantes, educadores e famílias brasileiras.
O balanço do encontro na Cúria revelou a profundidade da experiência: os participantes retornam a Moçambique com novas técnicas, metodologias e inspirações para fortalecer a educação do campo e promover o desenvolvimento comunitário. Dom Luiz afirmou que a cooperação entre os dois países deve continuar, com possibilidade de envio de técnicos brasileiros para apoiar as EFAs moçambicanas.



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