A Academia de Letras de Marataízes e do Estado do Espírito Santo celebrou, na noite de sexta-feira (19), seus 16 anos de fundação com uma programação especial que reuniu mais de 200 pessoas no município. A solenidade marcou a posse de novos acadêmicos, homenagens e atividades culturais, tendo como um dos principais destaques a posse do escritor, educador popular e produtor cultural Guilherme Nascimento. Fundador e gestor da Casa Roxa Cultural, Guilherme passou a ocupar a cadeira 26 da instituição.
A cadeira 26 é uma nova cadeira criada neste momento histórico da Academia, simbolizando a abertura para novas áreas do conhecimento e para o diálogo com as expressões contemporâneas da literatura e da cultura. Para patrono, Guilherme escolheu Anderson Herzer (1962–1982), jovem poeta brasileiro e homem trans, autor de “A Queda para o Alto”, obra pioneira da literatura de denúncia social no país.
Herzer transformou sua experiência de exclusão e violência institucional em palavra e resistência, tornando-se referência histórica na memória dos direitos humanos e da diversidade. A escolha dialoga diretamente com a trajetória de Guilherme, marcada pela atuação em territórios populares, na educação e na defesa da cidadania.

Mais do que uma solenidade acadêmica, a noite se consolidou como um amplo momento de formação literária, tendo como eixo central a obra “Entre Pix e Promessas”, mais recente livro de Guilherme Nascimento e sua primeira publicação voltada ao público adulto.
Durante o evento, o autor realizou mediações formativas, conduzindo bate-papos e rodas de conversa com o público sobre os temas do livro. A atividade integrou a execução do projeto literário contemplado pelos editais da Secretaria da Cultura do Governo do Estado do Espírito Santo (Secult/ES), reafirmando o papel das políticas públicas no fortalecimento da produção cultural e na formação de leitores.
“Entre Pix e Promessas” propõe uma reflexão sensível e crítica sobre as relações afetivas na contemporaneidade, atravessadas por promessas, frustrações, desejos e pelo impacto das tecnologias digitais na forma como as pessoas se relacionam. Nas mediações, Guilherme provocou o público a refletir sobre amor, solidão, imediatismo e a busca por sentido em tempos de conexões rápidas e vínculos frágeis.
Após as rodas de conversa, foi realizada uma sessão de autógrafos, além de doações e vendas de exemplares, garantindo o acesso ao livro e fortalecendo o contato direto entre autor e leitores, em um gesto que reafirma a literatura como experiência viva e compartilhada.

O evento contou com a presença de um público diverso, reunindo crianças, jovens, adultos e idosos, integrantes da comunidade LGBT+, representantes da negritude, além de intelectuais, ativistas sociais, educadores, agentes comunitários e fazedores de cultura da região sul capixaba. A pluralidade de presenças evidenciou o caráter democrático da ação e o alcance social da proposta formativa.
A atividade foi realizada por meio da Casa Roxa Cultural, organização reconhecida como Ponto de Cultura do Brasil, que há mais de uma década atua na promoção da arte, da educação popular e dos direitos humanos no território, articulando projetos culturais com forte impacto comunitário.
Durante a programação, Guilherme Nascimento também apresentou suas obras Amadé Ayé e Curumim Yby, que fazem parte de uma coleção infantojuvenil dedicada às divindades das diferentes culturas da humanidade. O autor anunciou ainda o próximo lançamento, Ma’at, previsto para 2026, dando continuidade ao projeto literário que une mitologia, diversidade cultural e formação de leitores desde a infância.
A solenidade comemorativa dos 16 anos da Academia foi organizada pela matriarca da instituição, Bárbara Pérez, uma das fundadoras da Academia de Artes e Letras de Marataízes, reconhecida por sua dedicação à cultura e à memória local.
A condução oficial do evento ficou a cargo do presidente em exercício da Academia, Sérgio Dario, que destacou a importância da criação da nova cadeira e da chegada de Guilherme Nascimento ao quadro de acadêmicos, ressaltando o papel da instituição em dialogar com as vozes do presente e com os desafios contemporâneos da literatura.
Em seu discurso de posse, Guilherme Nascimento afirmou que “ocupar a cadeira 26 é assumir o compromisso de fazer da literatura um espaço de escuta, inclusão e transformação social, trazendo para dentro da Academia as experiências das juventudes, dos territórios populares e das vozes historicamente marginalizadas”.
Com a posse e as mediações formativas realizadas, a Academia de Letras de Marataízes reafirma seu papel como espaço de valorização da produção literária, da memória e da diversidade cultural capixaba, celebrando seus 16 anos com novos caminhos e com a certeza de que a palavra segue sendo instrumento de encontro, reflexão e construção de futuros possíveis.





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