Por Marcelo MeloA bondosa chuva cai e molha vidas secas. Selo o cavalo, encalco o chapéu na cabeça, boto o pé no estribo, seguro firme na crina e monto vigiado pela Nina e Nena que estão a postos.Abro a porteira do curral e saio para o meu pequeno mundo encharcado de gratidão. A pastaria viçosa e esverdeada, enche o olhar de esperança. Assentado no lombo do cavalo, marcho enlameado de contentamento.A Natureza desprezada, silenciosa, sem palanques, com afeto filial, nos preserva oferecendo o que necessitamos. Montado, viajo na marcha batida cantando “Clube da Esquina 2”.Embalado pela canção e a chuva, com os olhos molhados, cavalgo por mais um dia que se vai na agradável companhia de Lô Borges.