Por Guilherme Nascimento — Casa Roxa Cultural
A juventude chega sem pedir licença,
não bate na porta, empurra.
Ela não quer destruir o velho,
quer lembrar ao velho que o tempo caminha,
que o mundo respira,
que a memória só vive, se mexe.
Quem teme o novo constrói muros,
quem entende o novo abre janelas.
Porque o novo é rio:
se tenta segurar demais, ele transborda;
se tenta barrar, ele rompe.
Se deixar correr, construímos pontes.
A tradição é bonita, é sagrada, é chão,
mas se ficar parada demais, vira pó.
Vira fotografia amarelada
que ninguém mais reconhece como viva.
A tradição precisa de movimento,
de sopro,
de recontar a si mesma
como quem acende uma fogueira antiga
com lenha fresca.
E a juventude sabe disso.
Porque ser novo não é esquecer,
é reconhecer o que veio antes.
É esticar a história pelas bordas,
dar voz aos que silenciaram,
tirar a poeira das narrativas,
botar luz onde ninguém olhava.
Ser novo é não aceitar
“sempre foi assim”,
é responder:
pois agora vai ser melhor.
Porque, como diz Elis,
com a verdade simples
que corta o tempo,
o novo sempre vem.
E quando vem,
ele vem com passos largos,
com coração inquieto,
com coragem de inaugurar mundos
que ninguém teve a ousadia de sonhar.
Juventude é isso:
um lampejo de futuro
acordando o passado pela mão
e dizendo:
vem comigo que eu te carrego,
porque nada morre quando é amado,
nada se perde quando é contado
e nada envelhece
quando encontra um jovem
disposto a reinventar o amanhecer.









