Coçar os olhos é um gesto automático para muitas pessoas, especialmente em situações de alergia, cansaço ou irritação. O que poucos sabem é que esse hábito pode representar riscos reais à saúde ocular e, em alguns casos, contribuir para doenças graves que afetam diretamente a visão.
De acordo com o oftalmologista Lucas Emery, coçar os olhos deve ser evitado em qualquer circunstância. “A superfície do olho é extremamente sensível. Quando a pessoa coça, mesmo sem perceber, pode provocar microlesões na córnea e na conjuntiva, facilitando a entrada de vírus, bactérias e fungos”, explica.
A Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) alerta que infecções oculares, como a conjuntivite, tendem a aumentar em períodos mais quentes do ano, quando há maior exposição ao sol, ao vento, à poeira e ao contato com água de piscinas, rios e praias. Estudos da entidade indicam que, no verão, esses quadros podem crescer em até 46%, exigindo atenção redobrada com hábitos aparentemente simples, como levar as mãos aos olhos.
O risco é potencializado pelo fato de que as mãos estão em contato constante com superfícies contaminadas. “Mesmo mãos aparentemente limpas carregam microrganismos. Ao coçar os olhos, a pessoa transfere esses agentes diretamente para uma região vulnerável, aumentando o risco de conjuntivites infecciosas, herpes ocular e outras inflamações”, destaca Lucas Emery.
Impactos diretos na córnea
Além das infecções, coçar os olhos pode agravar doenças já existentes. Um exemplo é o ceratocone, condição progressiva que provoca o afinamento e a deformação da córnea. Segundo o oftalmologista, o ato repetitivo de coçar exerce pressão mecânica sobre a estrutura ocular, acelerando a evolução da doença.
“Em pacientes com ceratocone, coçar os olhos pode antecipar estágios mais graves, como a hidropsia corneana, que causa inchaço da córnea e perda súbita da visão”, afirma Emery. A literatura médica e as diretrizes da SBO reconhecem o hábito de coçar como um dos principais fatores associados à progressão do ceratocone.
O diagnóstico precoce e o acompanhamento regular com oftalmologista são fundamentais para evitar complicações que podem levar a procedimentos mais invasivos, como o transplante de córnea.
O que fazer quando os olhos coçam
Diante dos riscos, especialistas reforçam que a coceira ocular deve ser tratada com alternativas seguras. Lavar o rosto com água fria, utilizar compressas frias sobre os olhos fechados e manter as mãos sempre limpas ajudam a aliviar o desconforto sem causar danos.
“O uso de colírios só deve ocorrer com orientação médica, porque a automedicação pode mascarar doenças ou agravar o problema”, orienta Lucas Emery. Ele também recomenda evitar ambientes muito poluídos, com poeira ou fumaça, e procurar avaliação oftalmológica sempre que a irritação for frequente ou persistente.
O alerta é claro: coçar os olhos não é um gesto inocente. Interromper esse hábito é uma medida simples, mas essencial, para preservar a saúde ocular e evitar prejuízos à visão a curto e longo prazo.



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