O Instituto Veritá, que está sendo questionado no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Espírito Santo por divulgar pesquisa com diversas irregularidades com o intuito de, em tese, beneficiar o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), teve nos últimos dias pesquisas suspensas por ordem judicial nos Estados de Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Tocantins. E mais: no Maranhão, a Justiça obrigou o instituto a fazer alterações na pesquisa e, no Piauí, Minas Gerais, Bahia e São Paulo, os levantamentos do Veritá são questionados com veemência pela classe política.
No Espírito Santo, a Executiva Estadual do MDB entrou com uma ação, no TRE, contra o Instituto Veritá, que tem sede na cidade mineira de Uberlândia, pela divulgação de uma “pesquisa eleitoral manipulada” para beneficiar Pazolini, pré-candidato ao governo do Estado. Na ação, o partido pleiteia medida liminar para que reportagens referentes à pesquisa sejam retiradas de ‘sites’ e redes sociais de supostos veículos de imprensa acusados de integrar milícias digitais coordenadas por funcionários comissionados da Prefeitura de Vitória.
No dia 6 de abril de 2026, o TRE de Pernambuco determinou a suspensão da pesquisa do Instituto Veritá sobre as intenções de voto na disputa pelo governo pernambucano. Divulgada em 5 de março, a pesquisa indicou o empate técnico entre os principais pré-candidatos ao cargo de governador, a atual gestora, Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).
A decisão é uma resposta à ação impetrada pelo MDB de Pernambuco, questionando a regularidade da pesquisa. Além de suspender a divulgação, o relator, desembargador Fernando Braga Damasceno, determinou a retirada do conteúdo já publicado nos meios de comunicação sob responsabilidade do instituto, no prazo de 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.
A representação do MDB-PE apontou inconsistências técnicas, como falhas no plano amostral, ausência de informações obrigatórias, inconsistências estatísticas e na descrição metodológica. Na decisão, o magistrado reconhece que os elementos apresentados indicam possível comprometimento da confiabilidade do levantamento e risco de influência indevida sobre o eleitorado.
O presidente do partido, Raul Henry, comemorou a decisão como um reforço na defesa da lisura do processo eleitoral. “Não se pode normalizar a divulgação de pesquisas com fragilidades técnicas que possam distorcer o cenário político. O MDB atuou com firmeza para proteger o eleitor e garantir que o debate público se baseie em informações confiáveis. Pernambuco precisa de um processo eleitoral transparente e à altura do que a população espera”, declarou Raul, ao jornal Correio do Estado.
No dia 8 de abril, o TRE do Mato Grosso do Sul determinou a suspensão imediata da divulgação de pesquisa eleitoral realizada pelo Instituto Veritá. A decisão liminar, proferida pelo desembargador Sérgio Fernandes Martins, atende a uma representação do partido AGIR/MS, que apontou inconsistências técnicas e omissão de dados obrigatórios. A pesquisa está registrada sob o número MS-03077/2026.
O Instituto Veritá informou ao Sistema de Registro de Pesquisas Eleitorais que a sondagem, orçada em R$ 93.940,00, foi financiada com recursos próprios. No entanto, o denunciante alegou que a empresa não apresentou o “Demonstrativo do Resultado do Exercício” do ano anterior, documento exigido para comprovar que a entidade possui saúde financeira para arcar com os custos da pesquisa.
Para o relator do caso, a ausência desse documento é uma falha grave que compromete a fiscalização do processo eleitoral. “Constata-se, em princípio, que o Demonstrativo do Resultado do Exercício não foi apresentado, o que impede a aferição imediata da capacidade econômico-operacional da empresa para custear, com recursos próprios, a pesquisa realizada”, destacou o desembargador Sérgio Fernandes Martins em sua decisão.
Além da questão financeira, a representação do AGIR listou outros vícios no levantamento, tais como divergências em relação aos dados oficiais do IBGE e a “falta de nomes considerados relevantes na disputa”. A divulgação incorreta de domicílio eleitoral e filiação partidária de postulantes também consta na lista de vícios do levantamento.
Em 14 de abril, o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) suspendeu a divulgação da pesquisa TO-06700/2026, do Instituto Veritá, por irregularidades. O juiz Roniclay Alves de Morais acolheu representação do Diretório Estadual do União Brasil no Tocantins, que apontou indícios de simulação no levantamento.
O magistrado destacou que o cronograma previa a divulgação dos resultados em 3 de abril, um dia antes do término da coleta de dados em campo. Na decisão, Morais classificou a falha como descumprimento lógico e legal, citando violação à Lei das Eleições.
O Judiciário também identificou a falta de assinatura de estatístico e de detalhamento geográfico. Diante dos vícios, a Justiça ordenou que o Instagram remova a postagem dos dados no perfil de Vicentinho Júnior em 24 horas. Em caso de descumprimento, o instituto Veritá enfrentará multa diária de R$ 15 mil.
No Maranhão, a Federação Renovação Solidária, formada pelo Solidariedade e PRD, ingressou no dia 2 de abril de 2026 com uma Representação contra a divulgação da pesquisa Veritá, que recentemente divulgou números sobre o atual cenário eleitoral no Estado. Na impugnação, a Federação Renovação Solidária alega falhas técnicas no plano amostral, que contrariam as informações exigidas pela legislação brasileira.
Uma das distorções apontadas na ação seria que o levantamento feito teria privilegiado a capital, com 30% dos entrevistados, quando São Luís representa menos de 18% do eleitorado maranhense.
O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) deferiu parcialmente o pedido liminar feito pela Federação Renovação Solidária. A decisão foi da juíza plantonista Rosângela Santos Prazeres Macieira. Na decisão, a magistrada chega a reconhecer “omissões formais e inconsistências técnicas” , mas entendeu por não suspender totalmente a divulgação da pesquisa.
No entanto, o Instituto Veritá deverá incluir, de forma clara, legível e em destaque, em todas as divulgações da pesquisa — seja em rádio, televisão, internet, redes sociais ou mídia impressa — a informação de que a fidedignidade do levantamento está sendo questionada judicialmente no processo nº 0600076-79.2026.6.10.0000.
Além disso, a empresa deverá apresentar, no próprio material divulgado, justificativas técnicas e legais para cada um dos pontos contestados, como o plano amostral, os relatórios de resultados e a documentação do estatístico responsável.
A pesquisa do Instituto Veritá, divulgada no contexto político ligado ao senador Ciro Nogueira, que passou a circular no Piauí, voltou ao centro da polêmica e agora enfrenta questionamentos dentro do próprio campo da direita política. O motivo mais recente foi a denúncia feita pelo pré-candidato ao Governo do Estado, Toni Rodrigues (PL), que afirma ter sido alvo de um erro grave na divulgação do levantamento.
Segundo Toni, a pesquisa utilizou a imagem de outra pessoa em seu lugar. A foto exibida seria a do deputado federal Antônio Carlos Rodrigues, ex-ministro do governo Dilma Rousseff, sem qualquer ligação com sua trajetória política. Jornalista, radialista, escritor e apresentado como político independente, Toni afirmou que solicitou a correção ao instituto, mas, até o momento, a mudança não foi realizada.
Para Toni Rodrigues, o episódio levanta dúvidas sobre a credibilidade do levantamento e reforça a suspeita de tentativa de confundir o eleitorado. “Sou uma voz de contestação e de proposta. Por que querem me cancelar?”, declarou o pré-candidato ao Governo do Piauí ao portal BR Hoje.
A nova controvérsia amplia o desgaste em torno da pesquisa Veritá, especialmente por ter sido vinculada politicamente a um dos principais atores do cenário eleitoral, o que elevou o nível de questionamento sobre sua neutralidade. Adversários e até setores da própria direita passaram a apontar o que consideram falhas graves no material divulgado, tanto na apresentação visual quanto na formulação e avaliação do questionário.
A repercussão é de que os erros não podem ser tratados como detalhes secundários, sobretudo em um cenário de pré-campanha, no qual pesquisas influenciam a percepção pública, o ambiente político e a narrativa eleitoral. Críticos do levantamento sustentam que, ao reunir questionamentos judiciais, impugnações e, agora, mais um erro grosseiro de identificação, a pesquisa perde força como retrato confiável do momento político.
Além do episódio no Piauí, o Instituto Veritá já foi alvo de questionamentos em outros estados, especialmente durante as eleições de 2022. Em Minas Gerais, por exemplo, levantamentos do instituto para o governo e o Senado foram criticados por apresentarem diferenças relevantes em relação a outros institutos e ao resultado final das urnas, o que levou analistas a apontarem possíveis falhas de calibragem amostral.
Na Bahia, pesquisas também foram contestadas por adversários políticos, que questionaram a metodologia e a formulação dos cenários apresentados aos entrevistados. Já em São Paulo, houve críticas públicas sobre divergências entre os números divulgados e a média consolidada de outros institutos, além de pedidos de maior transparência nos critérios técnicos.
Fonte: Blog do Elimar Cortes








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