por Zulmira Fontes*
Somos sofredores das esperas. Das conversas não respondidas, do vácuo temporal que loucamente se transforma em abismo.
Somos escravos de uma tela pequena que cabe numa palma de mão por uma resposta demoníacamente demorada.
Ah, o interlocutor não tem a mesma pressa que eu. Não tem urgência e vai cantando: “Deixa a vida me levar, vida leva eu”… enquanto atônita fico olhando a telinha. Máquina de fazer doidos diria Estanislaw Ponte Preta. Digo: máquina de embalar doidinhos.
Modernidades.
Sou refém dessas modernidades.
Às vezes, as repostas vêm no dia seguinte. Nem sempre vêm.
Se for uma missíva, ainda se fala em missíva? E-mail. Pronto. Modernizei o vocábulo por minha conta. Pode demorar semanas ou nem vir.
Se preciso falar algo urgente dígito: Pode conversar?
Antes telefones tocavam sem licença prévia e interrompiam até o coito e eram atendidos. Hoje não.
Pra muita precisança bata à porta. Ou fique aí esperando Godot.









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