Algo está mudando numa pequena comunidade com cerca de 500 habitantes, muito próxima ao badalado balneário de Meaípe, em Guarapari. Bairro com baixa renda per capta e, ao mesmo tempo, um dos mais charmosos do município, Porto Grande vem ganhando destaque pela atuação de empreendedores e artistas que resolveram arregaçar as mangas e colocar literalmente a mão na massa.
Tudo começou em 2020, quando o artista Wally Almeida pintou o muro da residência da designer Tânia Vivácqua, dando início a uma transformação estética marcada pelo engajamento da comunidade local. Em seguida, o artista passou a desenvolver novos trabalhos no bairro, incluindo um mural de 8 metros de extensão que contribuiu para seu reconhecimento e impulsionou o surgimento de um movimento artístico local.
“A proposta é consolidar Porto Grande como referência em arte urbana no município, criando um cenário cultural que dialogue com a comunidade e deixe um legado artístico na cidade”, expõe a designer.
Hoje, esta ação transformadora ganhou novos parceiros, apoio governamental e pode ser vista em postes, bancos de rua e, principalmente, nos muros do vilarejo, que vêm ganhando vida com cores e paisagens inspiradas nas raízes indígenas e africanas daquela comunidade.


Leia também: [Parte 1] Porto Grande: onde o turismo encontrou refúgio e inspiração
A valorização histórica e cultural de Porto Grande também faz parte do Projeto Origens, tocado pela multimídia Chris Barreto, o grafiteiro Starley Bonfim e o próprio Wally Almeida (ver biografias ao final da matéria).
Com recursos da Lei Paulo Gustavo (MinC) e do Funcultura (Secult), eles foram buscar inspiração no conhecimento ancestral dos moradores do bairro para a realização das intervenções artísticas na localidade, além de chamar atenção para a importância da preservação ambiental.
É o que se vê, por exemplo, numa das ações mais recentes do grupo, a pintura de um mural com mais de 200 metros quadrados. Para Wally, a obra, de autoria coletiva, é fruto desta experiência de imersão no passado e do intercâmbio com outros artistas.

“Fiquei surpreso com as histórias das pessoas mais antigas do bairro, foi uma coisa surpreendente. Me sinto realizado e honrado com esse mural, que para mim está sendo impactante, uma coisa que me representa”, conta o artista, de 22 anos.
A pintura do muro, localizado na rua principal do bairro, no caminho da escola, ajuda a recuperar a harmonização do local, tendo em vista a urbanização acelerada de Porto Grande, que há cerca de uma década vivia um clima quase rural e hoje já se preocupa com a preservação de suas matas e lagoas.
Dos EUA ao recomeço em Guarapari
Capixaba que viveu a maior parte de sua carreira artística em Nova York, Chris Barreto voltou ao Brasil depois de 25 anos nos Estados Unidos durante a pandemia de Covid-19. Como a família é de Guarapari, buscou um lugar tranquilo para criar um ateliê, e assim se instalou em Porto Grande, onde conheceu Wally de Almeida.
No bairro, eles começaram a planejar projetos juntos, incluindo Starley Bonfim, que já vinha desenvolvendo parcerias no local
“Nós criamos uma sincronia muito forte entre nós com nossa força de trabalho, uma convivência afetuosa e nossa afinidade em criar arte urbana para trazer consciência social valorizando nossas raízes afro- indígenas no cenário capixaba”, comenta Chris.
O projeto, proposto por Chris, foi realizado com recursos da Lei Paulo Gustavo e Funcultura, por meio da Secretaria da Cultura do Espírito Santo e Ministério da Cultura, com apoio da Real Empreendimentos e Linconvix Alpinismo e Serviços Industriais.
Starley classifica a experiência de imersão como uma honra, destacando o talento de seus colegas, uma artista com trajetória internacional e um jovem com uma personalidade cativante. Mas o trabalho não foi nada fácil de ser realizado.
“Entre muito sol e chuva, a experiência tem sido enriquecedora, com desafios singulares que exigem concentração e esforço físico de nossa parte, mas nada que roube o brilho e a importância do que estamos materializando na comunidade. É inspirador ver a reação das crianças diante dos desenhos”, relata.
Mas a ideia não é parar por aí, pelo contrário. O mural em Porto Grande é apenas o início do projeto. A ideia é realizar outros trabalhos, inicialmente em outras comunidades da região da Lagoa de Mãe-Bá e logo expandir a atuação, inclusive com intercâmbios em outros países, como os Estados Unidos, onde Chris Barreto desenvolveu boa parte de sua trajetória nas artes.
Biografia dos artistas

Wally Almeida é um jovem artista autista de 22 anos, nascido em Meaípe e criado em Porto Grande. Autodidata, começou a desenhar na areia aos 4 anos e hoje transforma muros e telas em verdadeiras obras de arte.
Em 2020, pintou seu primeiro mural durante a pandemia na casa da designer Tânia Vivácqua, que reconheceu seu talento e passou a apoiar e gerir sua carreira artística. Desde então, Wally espalhou cor por várias cidades do Espírito Santo, teve obras expostas e vendidas em Portugal.
Chris Barreto é uma artista multimídia que viveu mais de 20 anos em Nova York (EUA). Sua obra mistura a própria raiz indígena com Pop Art e Graffiti. Já teve trabalhos expostos no Museu Guggenheim e no Museu de História Natural, participou da NYFW, e até Madonna vestiu uma de suas criações.
Com exposições em museus internacionais e um trabalho marcante com os povos originários, Chris une arte, ancestralidade e sustentabilidade de forma única. Em 2024, passou um ano com os Pataxós em Caraíva, criando obras com materiais naturais.
Starley Bonfim é artista urbano, fundador do coletivo FG Crew e diretor do iÁ Estúdio. Atua com graffiti desde 2010, trazendo rostos e histórias da afrodiáspora para os muros das cidades. Seus murais realistas disputam narrativas nas paisagens urbanas, representando a força e a beleza da população negra.
Já levou sua arte para Dinamarca, Suécia e Noruega, além de criar obras marcantes no Mucane, Ufes e com a ONG Médicos Sem Fronteiras. Foi reconhecido por prêmios como a Comenda Rubem Braga e o Prêmio Trajetórias.
Saiba mais sobre o Projeto Origens no Instagram: www.instagram.com/origens2025.
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