Movimentos sociais de Cachoeiro de Itapemirim seguiram uma mobilização nacional e realizaram, nesta quinta-feira (11), a manifestação “Marcha pela Vida das Mulheres”, um ato suprapartidário que ocorreu simultaneamente em diversas cidades do país e que buscou denunciar a violência contra a mulher e exigir justiça para vítimas de feminicídio.
A concentração aconteceu às 16h00, na Praça Jerônimo Monteiro, reunindo dezenas de mulheres, homens, crianças, que caminharam com cartazes, faixas, bolas lilás e materiais de conscientização. A passeata seguiu pela Beira Rio até a 1ª Companhia da Polícia Militar, antigo Batalhão do Corpo de Bombeiros, em um percurso marcado por paradas que homenagearam vítimas de feminicídio, com fotografias e reflexões.

O bispo diocesano, Dom Luiz Fernando Lisboa, participou do ato acompanhado dos padres José Carlos Ferreira da Silva e Evaldo Praça Ferreira. Logo no início, o bispo leu uma carta especialmente dirigida aos homens e às comunidades cristãs, relacionando a fé à responsabilidade no enfrentamento da violência.
Ele afirmou que, no rosto de cada mulher violentada, é possível enxergar o Cristo Crucificado e a própria Igreja ferida, lembrando que estatísticas só revelam números e não o drama de vidas interrompidas. Citou dados que demonstram a gravidade da situação no Espírito Santo: em 2024, foram registrados 15.954 atendimentos por violência contra a mulher no Ligue 180, aumento de 44% em relação ao ano anterior, além de 2.670 denúncias formais.
Dom Luiz reforçou que números não consolam, pois cada estatística representa uma mulher com história, nome, rosto e, muitas vezes, filhos marcados pela dor. Citando o Papa Francisco, lembrou que a violência contra a mulher é uma “chaga que desfigura a humanidade” e afirmou que modelos distorcidos de masculinidade — baseados na força, no silêncio, no poder ou na agressividade — não correspondem ao Evangelho.
A carta também convocou as Comunidades Eclesiais de Base, círculos bíblicos, pastorais, movimentos, grupos de oração e o Terço dos Homens a promoverem rodas de conversa sobre masculinidade saudável, educação dos filhos, cuidado emocional, prevenção à violência e combate ao machismo.
Durante o percurso, diversas mulheres deram depoimentos que emocionaram. Regina Céli de Carvalho Monteiro, de 67 anos, integrante do movimento de mulheres de Cachoeiro, destacou que a violência ocorre em vários níveis e que o feminicídio é “o último degrau de uma escala que começa com um xingamento, passa por um empurrão e evolui para agressões mais graves”. Para ela, denunciar é fundamental, e a conscientização deve alcançar tanto mulheres quanto homens.

![[Cachoeiro] Marcha pela Vida das Mulheres reuniu famílias e movimentos sociais](https://portaldenoticias24horas.com.br/wp-content/uploads/2025/12/IMG_7833-1536x1152-1-750x427.jpg)


![[Marataízes] Secretários de Saúde se reúnem para organizar atendimentos de especialidades](https://portaldenoticias24horas.com.br/wp-content/uploads/2026/01/c90b167d-ab8d-4ff9-b615-c99444295c2c-350x250.jpg)

![[Muniz Freire] Dona Nina completa 115 anos e se torna referência de fé e longevidade](https://portaldenoticias24horas.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Dona-Nina-115-anos-350x250.jpg)



