Gosto de escrever e, por causa da boa vontade de um amigo jornalista, consigo multiplicar meus escritos e enviar para um montão de pessoas maravilhosas e com a paciência de Jó que leem os meus rabiscos.
Achar assunto não tem sido problema, haja vista a imensidão de notícias na TV e nas redes sociais. Não quero ser apenas mais um fofoqueiro, porém tem momentos que não dá pra resistir.
Estou sentado aqui ouvindo minha esposa ao telefone lá na cozinha. Ela dá uma risada e eu fico ouvindo, também com vontade de rir, pois a risada dela é contagiante. O problema é que a patroa muda mais o rumo da prosa que o Trump de opinião sobre tarifas e guerras.
Neste justo momento, diz: ‘Nooossa senhoraaa’, e eu me assusto com o tom da voz. E agora não sei por que ela fala mais baixo, e eu apuro os sentidos: Cê tá doida mulher… eu consigo ouvir. Aí descobri que fala com uma mulher… considerem as reticências como um tempo em que ela escuta, mas não demorou muito e continua: Iiiihhhh, meninaaaa. Assim não dá né? Mas isso depende dela só…. Eu, como bom bisbilhoteiro, tento descobrir de quem estão falando, mas desisto quando ela ri novamente dizendo: ai ai…
Chega, digo pra mim mesmo. Vou procurar algo pra fazer, pois tenho que mandar essa crônica (ou será fofoca?), para o meu amigo de boa vontade publicar. Sinto muito deixar vocês sem o final da conversa, mas a coisa parece que vai longe. Acho que o almoço hoje atrasa.
Bem feito pra mim que devia estar ajudando-a, em vez de ficar bisbilhotando. Melhor procurar algo mais útil pra fazer e bolar um jeito de ela não ler isso…

















