Ela raramente fica doente mas sente dores de todos nós, seus filhos, netos e até vizinhos ou conhecidos. Me lembra a frase de um dos Bragas sobre sentir todas as dores do mundo e talvez por isso nós nunca saibamos se as dores que sente são dela ou não.
Sempre nos pareceu feita de um material à prova de males e achaques. Sua aparência franzina escondia uma força e vontade de viver bem típicas da pessoa que não passou pela vida em brancas nuvens.
Talvez por isso ficamos surpresos quando temos que correr com ela para uma unidade de saúde. Surpresos e amedrontados ao ver que a idade cobra seu preço, e que ela depende cada vez mais de nós, que talvez não possa mais subir os sessenta degraus de sua casa até a minha, para trazer um chá quando fico gripado. Que não possa mais fazer pomadas, que aprendeu a fazer com as freiras na Pastoral da Saúde, pois não pode ir mais sozinha no mercado escolher os matos e remédios orgânicos de que precisa.
Mas nós compreendemos isso, mãe, e apenas o fato de saber que a senhora está lá em sua casa nos basta. Bom seria se fosse para sempre, mas enquanto pudermos cuidaremos de ti.
E isso não é apenas sobre a minha mãe…


















