Ele não era o pai. Nunca teve filhos, talvez fosse uma forma de ver a vida.
Ele cuidava dela, dos filhos dela e depois dos netos. Nunca faltou tempo a ele para levá-los à escola, ao curso de inglês, ao projeto de futebol. O trabalho o ocupava bastante, mas não o impedia de ir nas reuniões de pais, de comprar um presentinho bem simples para cada um no dia do aniversário deles ou no dia das crianças.
Se fosse pai de sangue então….então saibam não mudaria nada, pois seu amor por eles não tinha filtros. Ele, o pai, é que fora adotado por eles e não o contrário…Hoje, ele tem cabelos brancos e ela já não pode cuidar dos filhos ou dos netos, mas teimosamente e amorosamente ele cuida dela também….são consultas, fisioterapia, banhos, comidinha feita com amor infinito.
Definitivamente, foi forjado com uma têmpera diferente esse meu amigo. Como obra prima de um Vulcano moderno, ele foi moldado com o melhor dos bronzes do amor, dos metais mais puros da resiliência ou do ouro de um caráter ímpar.
Assim é esse meu amigo, que quando foram chamados os pais hoje lá na frente da Igreja, para uma homenagem do dia dos pais, ficou um pouco acanhado em se manifestar pois ele não era pai.


















