Jovem e em companhia de Adriana Filardi fomos assistir ao show da atriz e cantora Zezé Motta, no Clube do Samba, Barra da Tijuca, RJ. Na época, o presidente do Clube era o grande sambista João Nogueira, pai do cantor Diogo Nogueira.
Antes de entrar no Clube fomos tomar as tradicionais “batidas perfeitas” no famoso Bar do Oswaldo, que fica bem próximo. Entramos felizes no Clube. Assim que entrei, para minha agradabilíssima surpresa, a alguns metros de distância, com outras pessoas, em uma mesa, avistei ele. Fiquei paralisado por alguns segundos.
Sem ver mais ninguém, meu coração emocionado e minhas pernas decididas me levaram ao encontro dele. Bem próximo. Eu de pé e ele sentado, falei educadamente, sem desviar meu olhar absorto: – Boa noite! – Boa noite! Respondeu.
Atento, escutei o silêncio respeitoso das pessoas que estavam à mesa. Naquele instante solene, olhando para ele, falei: – Gosto muito das suas músicas, da sua voz, eu amo você! Ele deu um sorriso mineiro, estendeu a sua mão, me cumprimentou e falou carinhosamente: – Muito obrigado!
Feliz e agradecido me afastei. Quatro décadas se passaram daquele encontro de segundos. Ainda hoje a sua carinhosa mão negra que me cumprimentou, seus olhos que me olharam e a sua voz que me disse “muito obrigado” são lembranças minhas, patrimônios meus. Foram tombados por mim e eternamente serão preservados em minha memória.
Tenho grande admiração por alguns músicos brasileiros, mas meu sensível coração e minhas pernas decididas, conhecedores de mim, me levaram até “Ele”.
“Pois seja o que vier, venha o que vier, qualquer dia amigo eu volto a te encontrar”. Gratidão por tanto, Milton Nascimento!








