Um gesto de fé e resistência marcou a história de superação da pequena Eva de Paula Riguetti, que completa nove meses nesta semana. Nascida extremamente prematura, com 27 semanas de gestação e pesando apenas 624 gramas, a bebê enfrentou um dos quadros mais delicados possíveis logo ao vir ao mundo.
O prognóstico inicial era desanimador: segundo a equipe médica, as chances de sobrevivência eram mínimas. Ainda assim, após uma longa internação hospitalar, Eva recebeu alta sem sequelas — um desfecho considerado raro e que a família atribui à fé.
Moradores de Jerônimo Monteiro, no sul do Espírito Santo, os pais decidiram transformar a dor e a esperança vividas durante o período de internação em um gesto concreto de gratidão. Cumpriram uma promessa feita nos momentos mais difíceis e levaram a filha para ser batizada no Santuário Nacional de Aparecida, um dos principais destinos de peregrinação católica do país.
A mãe, a advogada Bruna Bello de Paula Riguetti, de 32 anos, conta que a gestação seguia dentro da normalidade até o quinto mês. Sem histórico de complicações como diabetes gestacional ou hipertensão, nada indicava que a gravidez tomaria um rumo tão delicado.
“Minha gestação foi tranquila. Não tive pressão alta, não tive diabetes, não tive nenhum sintoma alarmante. Eu só tinha um inchaço nas pernas, mas minha pressão continuava normal, então não havia motivo para preocupação”, relembra.
A mudança começou após um episódio aparentemente simples: uma queda dentro de casa durante a madrugada. Por precaução, Bruna procurou atendimento médico no dia seguinte. Embora, inicialmente, o bebê aparentasse estar bem, um exame de ultrassom solicitado por precaução revelou um sinal de alerta: Eva apresentava restrição de crescimento intrauterino.
A partir daí, o acompanhamento passou a ser mais rigoroso, com exames semanais. Poucos dias depois, um novo ultrassom apontou um problema mais grave: havia baixa vascularização no útero, o que impedia que nutrientes suficientes chegassem ao bebê. A orientação médica foi imediata: internação para tratamento intensivo.
No hospital, a situação evoluiu rapidamente. Exames de sangue indicaram alterações severas, levando ao diagnóstico de uma síndrome rara e grave — a síndrome de HELLP, condição que pode causar falência múltipla de órgãos e coloca em risco tanto a mãe quanto o bebê.
“A médica falou: ‘Tenho uma notícia boa e uma não tão boa. A boa é que o coração da Eva está bem. A não tão boa é que a gente vai para a cesárea agora’. Eu entrei em desespero. Pedi para ligar para minha mãe, mas ela disse que não dava tempo. Era uma questão de vida ou morte”, conta.
A cesárea foi realizada em caráter emergencial e sob anestesia geral, o que impediu Bruna de acompanhar o nascimento da filha. Eva veio ao mundo em estado crítico.
Sem chorar e sem sinais vitais adequados, a recém-nascida precisou ser reanimada. O índice de Apgar foi considerado grave nos primeiros minutos de vida.
“Ela nasceu sem vida, precisou ser reanimada. O estado dela era gravíssimo”, relata a mãe.
Nos primeiros dias, a realidade era dura. A bebê foi encaminhada diretamente para a UTI neonatal, entubada e sob cuidados intensivos. Bruna só conseguiu ver a filha pela primeira vez três a quatro dias após o parto, devido ao próprio estado de saúde.
Durante esse período, foi o pai quem acompanhou de perto a evolução da recém-nascida — e também quem carregou sozinho o peso das informações mais difíceis.
“Os médicos falaram que ela tinha 1% de chance de sobreviver. Se passasse das primeiras 72 horas, poderia ter uma chance maior, mas ainda assim não era garantia”, conta Bruna.
A cada dia na UTI, novos desafios surgiam. Eva apresentou condições comuns em prematuros extremos, como alterações cardíacas, exames metabólicos preocupantes e risco de comprometimento da visão.
Mesmo diante de um quadro tão delicado, a evolução da bebê começou a surpreender a equipe médica. O coração respondeu ao tratamento sem necessidade de cirurgia, exames posteriores normalizaram e a visão evoluiu de forma considerada fora do padrão para casos semelhantes.
“A médica falou que nunca tinha visto um olho de prematuro tão bom. Era para ela ter problemas de visão, mas não tinha nada. Disse que aquilo só podia ser um milagre”, relembra.
Ao longo da internação, a fé se tornou um apoio fundamental para a família. Bruna conta que escrevia pedidos em papéis e os colocava sob uma imagem religiosa em casa, enquanto objetos de devoção acompanhavam Eva na incubadora.
Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando a bebê teve uma piora súbita. Os batimentos cardíacos chegaram a níveis críticos e a saturação caiu drasticamente. Sem conseguir estabilizar o quadro, a equipe médica alertou os pais sobre a gravidade.
“Se vocês tiverem fé, rezem. Ela não passa dessa noite”, ouviu o casal.
De volta para casa, sem notícias concretas, Bruna relata ter vivido um momento de desespero profundo, seguido por uma sensação inesperada.
“Eu ajoelhei e rezei muito. Depois, senti uma paz que não sei explicar. Eu só sabia que a Eva estava bem”, conta.
No dia seguinte, ao retornarem ao hospital, receberam a confirmação: a bebê havia se estabilizado durante a noite — exatamente no horário em que a mãe relata ter sentido essa tranquilidade.
Após um total de 88 dias de internação — sendo 81 dias na UTI neonatal e mais sete dias no quarto — Eva finalmente pôde ir para casa. A permanência hospitalar foi prolongada também pela necessidade de ganho de peso e adaptação aos cuidados fora da UTI.
“Ela não poderia ter alta antes de atingir dois quilos. Recebeu alta com 2,002 kg. E passamos uma semana no quarto aprendendo todos os cuidados necessários com ela”, explica a mãe.
Durante esse período final, a família foi preparada pela equipe médica para a rotina de cuidados com a bebê, garantindo segurança na transição para casa.
Diante da recuperação, os pais decidiram cumprir a promessa feita durante os momentos mais críticos: levar a filha até o Santuário Nacional de Aparecida para o batismo.
A cerimônia foi marcada por emoção e simbolismo. A família também deixou objetos que acompanharam Eva na UTI como forma de agradecimento.
“Na frente da imagem, eu senti a confirmação do milagre. Não foi pela metade, foi por inteiro. Tudo que aconteceu na vida da Eva foi completo”, afirma Bruna.
Hoje, saudável e em casa, Eva segue em acompanhamento, com desenvolvimento positivo. Para a família, a história vai além da medicina.
“Eu tenho certeza que foi pela intercessão de Nossa Senhora. Se não fosse tudo como aconteceu, talvez nem eu nem ela estivéssemos aqui hoje”, diz a mãe.
Fonte: Diocese de Cachoeiro

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