À tarde, pedalando na periferia da Barra de Itapemirim, Marataízes, parei numa padaria, pedi café com leite e pão de queijo. Ao lado, num terreno baldio, crianças, com pedaços de pau na mão, batiam no mato alto, brincando com um sofá e papelão.
Eu, sem maldade, levantei e fotografei a farra das crianças. Um calor do inferno! Do outro lado da rua aparece uma mãe-delegada-investigativa-infantil, sangue quente e normalmente estressada. Ressabiada com o intruso fotógrafo, grita com o filho bem acima dos 55 decibéis permitidos pela (ABNT):
-Menino, não quero você brincando na rua não, viu! Me escutou?
Ela, com razão, sem conhecer o fotógrafo, ficou desconfiada. Coloquei o rabo entre às pernas. Voltei, sentei na cadeira da padaria e continuei observando a liberta e desobediente meninice a brincar.
A mãe, ainda preocupada, com a mão na cintura, cochichou com os meninos. Desprovidos de brinquedos caros e preocupações adultas, com seus próprios recursos, viviam a liberdade. Passados alguns minutos, vieram todos até mim.
– Tio, porquê você fotografou a gente?
– Quando criança, assim, como vocês, também brincava na rua. Me deu saudade. Gosto de fotografar, escrever e postar na internet.
Percebi que a mulher que gritou, ficou preocupada. Desculpa aí, falei.
– Era a minha mãe, falou um menino moreno. – Desculpa você. Pode fotografar sim. Não tem problema, não. Falou um menino menorzinho, talvez percebendo minha sinceridade.
– Como é seu nome, perguntei.
– É Artur, tio, respondeu. Desculpados, seguimos libertados e sem motivos para sermos perdoados.
















