Romântico, canto o amor e a dor. Sem emoldurar vida, pendurada entre paredes, e com passadas tortas, sigo o meu destino. Com braços abertos, me abraço, respeitando identidade, cultura e costumes.
Com os pés descalços, sobre o chão traçado, ando às margens do Rio Itapemirim. Sem mãos autoritárias para me puxar e tirar dos caminhos, marcho determinado ao meu encontro. Se eu não for eu, menino de Cachoeiro de Itapemirim, nem saudades de mim sentirei.
Como folhas secas, caídas, serei varrido, queimado e soprado pelo vento nordeste maratimba. Sem raíz, mentiroso e inseguro, negarei o Pico do Itabira, o calor cachoeirense, Rubem Braga, Sérgio Sampaio, Luz del Fuego e outros. Aí, em represália, São Pedro mal humorado e desgostoso, pegará as chaves e fechará as portas do céu.
E, como penitência, no verão cachoeirense, sem a Torre Milagrosa, que fazia chover, terei que rezar o Santo Rosário, de 12h00 às 14h00, na escadaria da Catedral, em reparação da minha grande culpa.
Só assim, acompanhando Neném Doido na procissão do dia 29/06, ele ouvirá minha contrita confissão e me absolverá. Maria Fumaça, sacana, se estivesse por aqui, iria dar uma pitada no seu cachimbo, sorriria, e falaria zombando: – Pateta, quem mandou nascer em Cachoeiro!
















