Junho festivo, acordei cedo e saí destinado a encontrar minha cidade. Fui logo ao coração da não mais pequena Cachoeiro, a Praça Jerônimo Monteiro.
Pessoas sem bunda passam e não sentam. Bancos endinheirados, moradores da praça, apressados, depositam vidas devedoras e comprometidas. Sustadas, desacreditadas e cabisbaixas, saem com os bolsos e os corações vazios. A mesma praça e os mesmos bancos, que já foram cantados na Praça é Nossa, programa de grande audiência na televisão, hoje tristes, povoados de carros, reclamam dos moradores desatentos.
Silenciosos, o Rio Itapemirim e o Pico do Itabira antenados, observam a cidade calorosa caminhar banhada de suor, saudosa dos cachoeirenses ausentes. Insensíveis, os moradores atuais sem saber onde pisam, não tiram os sapatos sujos dos pés. Cegos, atravessam a ponte sem olhar as águas do Rio Itapemirim e não contemplam o solitário Pico do Itabira.
Talvez eu esteja querendo demais, sei que são outros tempos. Mas o coração cachoeirense é assim. Bobo e exigente. Desculpa aí conterrâneos, foi só um desabafo infantil e juvenil. Saudades da minha pequena Cachoeiro.


















